A história da humanidade é marcada por fases, ciclos se quisermos. Estes variam muito nas suas características, mas são invariáveis nas suas dinâmicas: surgem de uma mudança, evoluem, atingem o auge e encaminham-se para a sua morte, sucumbindo ao conflito que os destrói e renova abrindo caminho a nova mudança. É assim que os impérios caem, sejam de que tipo forem.
Rachel Weisz encarna Hipatia, matemática e filósofa neo-platónica, que se mantém coerente e fiel aos seus princípios durante todo o turbulento crescendo de violência que acompanha a ascensão do cristianismo e consequente perseguição e condenação do paganismo.

Na sua incessante perseguição de conhecimento e firme no seu sistema de valores ela é o retrato da humanidade que em épocas conturbadas teima em não ceder, em não descer ao conflito inútil derivado do orgulho vazio de quem tem o poder para evitar que o caos se instale e se deixa levar por discursos incendiários, em resistir até ao fim mesmo quando sabe que está condenada. Sacrifica-se e assim se imortaliza.
Vi reforçada por Hipátia uma postura que admiro e tento, desajeitadamente, ter: uma estrutura interna sólida, realista e sobretudo verdadeira para mim que me torne firme como ser humano e mais capaz de lidar com as adversidades, infortúnios e incertezas. E de vez em quando, surpreendentemente, também com pequenas, mas essenciais, alegrias que surgem tão inesperadamente. Simples elipses que em si retêm o poder de reduzir tudo o que nos pesou e pesa a meros tropeços apenas, porque depois de tanto procurar se nos revelam.
E de repente... talvez eu mesmo esteja perante a minha elipse, agora receoso de que me escape por lhe querer tocar...
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