sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Cativeiro

Escuro. Não há luz, nada se vê.

Silêncio? Predomina, não domina. Frustrado por sons emboscados no breu.

Turvas imagens, nada mais que sombras do possível, sucumbem impotentes na incerteza.

Ostenta-se um pulsar, uma energia que atrai... e trai.

Ultimadas, razão e lógica repudiam-no. Não vê nada, mas vai, o imbecil, seduzido pelo hipnótico.


Caminha às escuras. Não vê, não pensa. Vai apenas... Em direcção a quê não se discerne.

A negrura apraz-se: mais um tolo deambulante escarnecido aos seus caprichos.

Tropeça, o trôpego, e sorri pensando: "é menos um"...

Insiste, obstinado, e segue o percurso que existe apenas em si e crê levar ao que tanto aspira.

Vai. Não vê. Pensa que vence o caminho e que a umbra falhou em detê-lo.

Orgulhoso, tenta abrir os olhos para ver o que o encantou, mas estão abertos. Estiveram sempre.


Desânimo é a recompensa. Desespero. Falacioso apelo.

Engole a violência do nada e rende-se à imponência do evidente.


Tomou para si uma demanda ilusória:

Ímpar... e inútil.

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