sexta-feira, 26 de março de 2010

Uma pequena viagem...

De vez em quando surgem oportunidades de conhecer novos locais e de vez em quando até se aproveitam essas oportunidades. Felizmente!

Nos últimos dois dias tive precisamente uma dessas oportunidades e fui conhecer o Montijo e um pouquinho de Lisboa. Para além de ter sido muito bem recebido foi muito bom passear pelas agradáveis ruas tranquilas e pacatas do Montijo, fazer a travessia do Tejo de barco com Lisboa no horizonte e explorar o que a cidade esconde nos seus recantos e desvios, ainda que de forma bastante fugaz.

Não trago fotografias, nunca fui muito disso, trago sim memórias que prezarei sempre: de sons e embalos, de imagens abertas, de aromas quentes e frios, de sentidos despertos e seduzidos... Mas acima de tudo de um aconchego do âmago que muito pouca gente me conseguiu ou consegue dar e que recebi tão generosamente e de forma tão abundante durante toda a minha visita.

Chegada a tirana hora de regressar dei por mim a desejar poder abrandar o tempo, ou sabotar o comboio para poder ficar mais um pouquinho, mas, obviamente, parti a horas.

Anseio repetir a ida como já não me lembro desde puto e a culpa disso é mesmo do artista... Muito obrigado por tudo!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Alice In Wonderland

Eu, como muita gente, andava já para ver este filme há bastante tempo e fui vê-lo no dia 10 deste mês.



Devo dizer que esperava um filme espectacular, mas não estava preparado para ficar tão bem impressionado com ele. Sim eu sei que o Tim Burton é excepcional, sim o elenco prometia, mas mesmo assim fiquei perfeitanebte rendido à excelente qualidade do filme. Os actores foram muito bem escolhidos, adorei o Chapeleiro, os maneirismos da Rainha Branca, a entoação e dicção da voz do gato e da lagarta Absolem, mas acima de tudo o sublime desempenho da Helena Bonham-Carter como Rainha de Copas - incontestavelmente brilhante.

O País das Maravilhas em si estava extremamente bem conseguido e convincente sem se impor ou desviar a nossa atenção das personagens. Todas as criaturas despertavam uma reacção de inesperado, contudo devo dizer que o gato de Cheshire foi de longe, na minha opinião, o maior triunfo de animação digital que eu já vi. Vi o filme em 3D e não houve um único momento em que me apercebesse dos efeitos digitais que fizeram o gato, desde o pêlo azul brilhante ao fumo e maneira como ele se materializava e desmaterializava.

Uma delícia de filme. O primeiro que não me deixou a pensar no disparate que são os preços dos filmes em 3D e mais, o primeiro em 3D que não só não me importo de rever, como muito provavelmente o farei.

terça-feira, 2 de março de 2010

A Pérola

Anda toda a gente muito condoída com o que se abateu sobre a ilha da Madeira e, de facto, os relatos que nos chegam a cada milisegundo são impressionantes.
Já enjoam, mas são impressionantes.


E claro que após a consternação e o amor pela observação da desgraça que o santo tuguinha tem a correr nas veias se seguiu a compaixão das vedetas que aparecem mais vezes a fazer publicidade ao shampoo da Linic do que apareceram a falar da Madeira.
Certo famoso (que tem a mania de fazer picnics com caldo verde nos sonhos de algumas pessoas) disse-se "consternado" com a situação... Ah, esperem... Não se disse, mandou a Clara de Sousa dizer no Jonal da Noite. Sim, é que palavras plurissilábicas são um desafio articulatório arrebatador para determinados níveis de q.i., mas adiante.

Falando efectivamente da situação em si, que não foi novidade nenhuma, porque já tinha acontecido em termos semelhantes em 1993. Ainda me lembro vagamente de algumas das imagens. Ora... Pensaríamos nós, pessoas com algum senso comum, que, depois de ter acontecido uma vez, medidas seriam tomadas para minimizar os danos e os riscos para estruturas e pessoas... Pois...

Agora acrescentemos o factor Portugal. Já mudou um pouco não já? A esse adicionemos o factor Imperador Jardim e, bem... não preciso de dizer mais, mas vou dizer na mesma.

Quando a ilha da Madeira foi assolada em 1993 por um fenómeno semelhante a este deveria ter sido feito um planeamento urbano que contemplasse o que aconteceu e em função disso, prevendo que fenómenos do mesmo género, mas mais intensos, se iriam repetir, proceder à adequação do território e das estruturas a essa mesma previsão. Não foi feito e o resultado está à vista.

Pergunto-me eu, e concerteza não serei só eu, por que razão não foi feito. Qual é a justificação? O território onde a intervenção seria feita é minúsculo, a região autónoma recebe mais fundos do que o malfadado continente e supostamente tem um governantão que só não une as nações do mundo sob uma mesma bandeira e as leva a conquistar o Universo porque está preso no meio do mar, enquanto fala cheio de orgulho de boca arreganhada até às orelhas sem se perceber (literalmente) de quê.

Gastar dinheiro em obras que futuramente impediriam desgraças em vez de libertar gases de estufa enquanto berra numa língua que ninguém percebe? Nunca!

Espero que os madeirenses recuperem de tudo isto que se passou e também que acordem um bocadinho e abram os olhos para não se deixarem levar pela demagogia de quem só se preocupa com o seu umbigo e tem delírios de chefe de tribo. É que é graças à sua irresponsabilidade que as coisas estão no estado em que se encontram.